Síndrome de Sjögren é uma das mais comuns entre as doenças reumáticas

Última atualização: 01/12/2011

Por Daya Lima
Equipe Reumatoguia
 
Pouco conhecida, porém, muito comum no Brasil, a Síndrome de Sjögren é uma doença reumática autoimune que se caracteriza por secura de boca e olhos, por diminuição da quantidade e da qualidade da lágrima devido à inflamação das glândulas. Com incidência desconhecida no país, a Síndrome tem prevalência, de acordo com estudo feito pela Sociedade Brasileira de Reumatologia, junto com a Universidade Federal do Espírito Santo, de 0,2%, podendo chegar até 1% da população brasileira.
Mais comum em mulheres do que em homens, ela tende a aparecer a partir dos 50 anos e os pacientes, quando diagnosticados corretamente, podem ter uma qualidade de vida boa.

Quem nos afirma isso é a reumatologista Valéria Valim, Chefe do ambulatório de Sjörgren do Hospital das Clinicas da Universidade Federal do Espírito Santo. De acordo com ela, o maior problema da síndrome é o seu diagnóstico que, muitas vezes, é confundido com outras doenças.

“Esta é provavelmente a doença reumática autoimune mais frequente, entretanto, muito pouco diagnosticada, pois, a semelhança com outras doenças reumáticas e infecciosas (HIV e hepatite C) pode levar ao diagnóstico inicial inadequado. Além disto, o sintoma de secura é pouco valorizado pelo paciente e pelo médico, exceto quando leva a consequências mais graves como a úlcera de córnea, a dificuldade de engolir alimentos ou perda do paladar”.
 
Entre os sintomas mais comuns da Síndrome de Sjögren estão: sensação de secura, sensação de areia nos olhos, queimação de boca e olhos, dificuldade para engolir os alimentos, diminuição do paladar, aumento do número de cáries, olhos vermelhos e irritados, coceira nos olhos. A secura também pode ocorrer na vagina, pele, nariz e garganta.

Segundo a médica, a confusão com outras patologias autoimunes se dá também por conta da semelhança. “Quem tem fibromialgia, artrite reumatoide e Lúpus, por exemplo, pode ter cansaço extremo, dores musculares, anemia, etc, sintomas da Síndrome de Sjörgren.” Por isso, de acordo com Valéria, o diagnóstico é mais demorado. “Muitas pessoas tem a Síndrome, mas, são tratadas como tendo outras doenças”.

Mesmo assim, por não ter uma medicação específica para a Síndrome, a reumatologista diz que o tratamento acaba não sendo equivocado, pois se usam os mesmos imunossupressores, como a hidroxicloroquina, metotrexate, azatioprina, ciclofosfamida e o micofenolato. “Recentemente o imunobiológico rituximabe foi testado e mostrou benefício na melhora da secura, da inflamação e consequentemente da qualidade de vida. Novos medicamentos estão sendo testados e que atuam em diferentes células e mediadores (citocinas)”, comenta.

Além disso, de acordo com a médica, os substitutos de lágrima (colírios sem conservantes) e saliva podem trazer alívio e devem ser utilizados, especialmente porque não tem nenhum risco. Além disto, alguns medicamentos como a pilocarpina e cevimeline (não disponível no Brasil) podem estimular a produção de saliva e lágrima, mas não devem ser usados por conta própria, por riscos para o coração e respiração.
 
Apesar de o tratamento ser medicamentoso, a reumatologista diz que existem algumas medidas simples, do dia-a-dia, que também ajudam no alívio dos sintomas. Um deles é usar ósculos escuros e gomas de mascar sem açúcar. Uso de umidificadores de ar e menor exposição ao ar-condicionado também ajuda a minimizar as sensações provocadas pela doença. Remover toda a maquiagem é de extrema importância para as mulheres.

Esses cuidados devem ser tomados para se ter uma qualidade de vida satisfatória. No entanto, de acordo com a médica, as poucas limitações só poderão ser garantidas se a doença for diagnosticada precocemente e o tratamento começar o mais rápido possível.

E finaliza: “ao sinal de algum sintoma, só um reumatologista qualificado pode diagnosticar a doença. Automedicação não trará benefícios e só piorará o caso que pode ser muito bem tratado e não apresentar graves limitações para a vida do paciente”.

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