Dor psicológica

Última atualização: 29/01/2011

“Quem nunca ouviu isso atire a primeira pedra!!!!” Não existe nada mais irritante que ouvir “isso pode ser psicológico”. Acredito que todos nós já ouvimos algo parecido uma vez na vida.
A dor é algo subjetivo, nós a sentimos, podemos tentar descrevê-la, porém, não conseguimos, através de palavras, provar o quanto dói e como dói. Isso muitas vezes é uma barreira quando chegamos no consultório médico, porque falamos da dor, mas não podemos provar que temos a dor, ou pelo menos, não podíamos, pois agora existe exames que tem a capacidade de apontar onde dói. 
Existe um exame chamado “Infrared” que significa imagem infravermelha, conhecido também como “Termografia”. É um exame de imagem que através de luz infravermelha indica alterações de dor. Infelizmente, essa técnica não esta disponível nas unidade de saúde pública do Brasil, mas é possível realizar este tipo de exame em hospitais da rede particular, a última vez que consultei, cada membro custava, aproximadamente, R$ 600,00.
Até que ponto devemos provar a nossa dor? Eu penso que a dor é algo que deve ser respeitado, eu nunca duvido da dor de ninguém, às vezes o que dói muito em mim, pode doer pouco em você, tudo depende da sensibilidade, da situação, enfim da pessoa. 
Mas ouvir de médicos reumatologistas que a dor é psicológica é sinceramente frustrante, esperamos que nossos reumatologistas compreendam a nossa dor, eles não podem ver a dor, mas podem, por meio de exame físico e de imagem, certificar que existe atividade inflamatória e, consequentemente, dor. 
Eu, como muitos de vocês, já fui encaminhada ao psicólogo e recentemente ao psiquiatra. No psicólogo foi muito engraçado, eu chegava e passávamos uns 40 minutos conversando, mas o meu psicólogo expressava um olhar de “pena” tão grande que aquilo me incomodava, até que um dia disse pra minha mãe que não iria mais ao psicólogo porque estava achando que eu estava fazendo terapia nele, além de que ele indicou que eu fizesse hipnose, nada contra quem faz hipnose, mas imagino que a hipnose não iria me tirar a dor, além de que achava que aquela terapia psicológica estava me deixando era doida e irritada. Não existe nenhum sentimento pior do que perceber que as pessoas sentem “pena” da gente, isso me deixa enfurecida, abandonei a terapia com meu psicólogo, ele era legal, mas minha dor era real e não acreditava que na terapia deixaria de sentir dor.  
Há poucos dias fui encaminhada ao psiquiatra, um médico reumatologista disse a minha mãe que meu caso é psiquiátrico. Veja como ele foi corajoso, disse para minha mãe e não para mim. E sigo então com dor psicológica, com erosão óssea no quadril psicológica, com derrame articular em ambos os tornozelos e quadris também psicológica e acredito que o meu psiquiatra vai me dar uma “fórmula secreta que cure minha AR em atividade psicológica”. Mas espero que o psiquiatra realmente reverta a minha artrite, porque estou no limite da tolerância para “dor psicológica”. 
O quer seria dor psicológica? Eu compreendo que dor psicológica é aquela dor que a gente inventa para ganhar algum beneficio. Agora vamos pensar: que beneficio a doença trouxe para nossas vidas? 
O quanto custa a doença na sua vida? Eu adoraria gastar o que gasto de remédios comprando doces e viajando. Mas não, por que eu tenho dor psicológica eu compro remédios, remédios pra dor psicológica. 
Fico pensando nos psiquiatras e psicólogos que nos recebem nos consultórios enfurecidas, cheias de dores emocionais, causadas pelo fato de termos a nossa dor ignorada e irresponsavelmente apelidada de “dor psicológica”. 
E o pior de tudo é que levamos provas clínicas de derrame articular, erosão óssea, perdas de tecidos articulares. Por isso, não se sinta diferente quando alguém te falar que é psicológico, acredite em você, naquilo que você sente, pois nós, somente nós sabemos o quanto dói, como dói e, principalmente, o impacto dessa dor na nossa vida.
As vezes me pego sonhando, como estaria minha vida hoje, se não tivesse ficado doente? Penso tanto “$$$$$$$” que seria diferente, nos meus planos de vida. Hoje eu estaria fazendo doutorado, lecionando em uma grande universidade, teria feito algumas viagens pra fora do Brasil com meu filho, teria uma vida profissional bem sucedida e um padrão de vida melhor.
Nossa, chega! Dá tristeza em pensar que tudo mudou, as coisas tomaram outro rumo, meu dinheiro eu deixo boa parte na farmácia, no convênio médico, na fisioterapia, na hidroterapia, ai, ai, chega doer, pensar em tudo que a doença mudou e me tirou. Mas sabe, onde me consolo, pensando no quanto a doença me fez ser uma pessoa melhor, hoje eu sei valorizar cada sorriso do meu filho, cada momento pra mim é único, meu dia é um novo dia, tudo bem que quando vou levantar da cama pela manhã pareço um robô em andar sincronizado, mas agradeço a Deus que posso levantar robotizada e só volto a deitar quando estou realmente com muita dor ou na hora de dormir. 
E sigo levando a dor psicológica bem real no dia-a-dia, quem sabe um dia, encontraremos um detector de dor real. Eu só queria falar que eu já ouvi que “tudo é psicológico” e não se sintam sozinhos, todos nós já ouvimos isso, e quando nossos exames pulam nas mãos deles, nos deparamos com semblantes sem graça, que tem que aceitar que existe de fato uma dor. 
“Ainda encontraremos a fórmula contra a dor psicológica” só espero que nossas articulações suportem esperar esse dia chegar, porque se não, só nós restará às próteses. 
Creia, somos normais e nossas dores reais! 
Beijinhos da Pri !!!  

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