Corticóides sistêmicos

Última atualização: 23/05/2011

Corticóides sistêmicos

Prednisona, prednisolona e mitilprednisolona
Os corticóides são antiinflamatórios hormonais que se ligam a receoptores celulares que traslocam para o núcleo da célula e afetam a trasncrição dos genes alvo induzindo a produção de proteínas antiinflamatórias e reprimindo a das pró-inflamatórias. Os corticóides também inibem a inflamação por meio de mecanísmos independentes dos efeitos transcricinais.

Os efeitos antiinflamatórios diretos e indiretos na inflamação são variados e incluem redução da liberação de ácido araquidónico, inibição da produção das citocinas pró-inflamatórias, diminuição da migração de neutrófilos para os locais de inflamação, redução da função das células T e diminuição do número de eosinófilos.

Uso em doenças reumáticas
Os corticóides são usados em uma grande variedade de doenças reumáticas:
Artrite reumatóide; os corticóides em baixas doses (prednisona, prednisolona) são usados frequentemente como uma terapia ponte para suprimir a atividade da doença durante a introdução de fármacos antireumáricos modificadores da atividade da doença com ação mais lenta. O acrescimo de prednisolona em baixas doses por 2 anos ao tratamento padrão com fármacos antireumáticos modificadores da atividade da doença reduz a velocidade de progressão radiográfica em pacientes com artrite reumatóide de início recente. È controverso se os benefícios da terapia superam os riscos da terapia prolongada com corticóides na artrite reumatóide crônica.

LES; no lupus eritematoso sistémico; apesar da escassez de estudos clínicos controlados, a eficácia dos corticóides se aceita, sendo eles o suporte rpincipal dos esquemas terapêuticos para tratar as exacerbações agudasdo lupus e manter as remissões.

Vasculite; os corticóides em altas doses com frequência são usados juntamente com fármacos citotóxicos no tratamento inicial da Granulomatose de Wegener, da poliangiite microscópica, da síndrome de Churg-Strauss e da poliarterite nodosa. A de células gigantes e a arterite de Takayasu costumam ser tratadas com corticóides isoladamente.
Polimimosite e dermatomiosite; os corticóides em altas doses são a terapia padrão de primeira linha.

A metilprednisolona é discretamente mais potente que a prednisona ou a prednisolona. Os corticóides orais em altas doses (predinisona, prednisolona) são utilizados na tentativa de controlar a atividade da doença grave e rapidamente nos casos de LES, vasculite, miopatias inflamatórias e outras doenças autoimunes. Devido à provável ocorrência de toxicidade com a manutenção de doses elevadas, a dose deve ser reduzida de acordo com o permitido pela atividade da doença ou pelo uso de agentes poupadores de corticóides, ou ambos.

Os “pulsos” intravenosos de metilprednisolona são utilizados algumas vezes nas complicações graves de LES, vasculite e miopatias inflamatórias.

De forma geral apenas os corticódes em baixas doses (prednisona, prednisolona) são usaods no tratamento de artrite reumatóide. As doses de manutenção no LES são frequentemente mais altas.

Início e monitoração da terapia
Caso seja considerado o uso de terapia prolongada com corticóide a densidade óssea deve ser determinada, particularmente em indivíduos com fatores de risco para osteoporose. Os níveis de açucar no snague devem ser monitorados rigorosamente quando os pacientes com diabetes são tratados com corticóides sistémicos, mas não são necessários exames laboratoriais de rotina para monitorar a terapia, embora possam ser indicados para avaliar a doença subjacente.

Precauções especiais
Nos casos de infecção aguda, diabetes mellitus ou osteoporose, os corticóides sistémicos devem ser usados somente após consideração cuidadosa da indicação do tratamento, dos riscos do tratamento e das alternativas medicamentosas, por isso é muito importante que o médico especialista, neste caso o reumatologista, defina e decida o que é melhor para cada paciente de forma individualizada e sempre considerando a qualidade de vida do indivíduo.

A terapia com corticóides pode suprimir o eixo hipotalâmico-hipofisiario-suprerrenal, a dose e a duração do tratamento influenciam o início e a magnitude desse efeito.

Complicações
•    Praticamente todas as compliações dos corticóides são dependentes da dose e aumentam com a duração da terapia.
•    O risco de infecção é substancial com a terapia prolongada em altas doses, os efeitos antiinflamatórios dos corticóides podem mascarar os sinasi e sintomas da infecção o que dificulta o diagnóstico.
•    A redistribuição do tecido adiposo (gordura) resulta comumente em um aspecto cushigiode (obesidade no tronco, corcova de búfalo e face de lua) em pacientes tratados com doses moderadas a elevadas por períodos prolongados mas é rara em individuos que recebem doses baixas.
•    Os efeitos dos corticóides sobre os carboidratos podem exacerbar a hiperglicemia (aumento do açucar no sangue) em pacientes com diabetes mellitus ou induzir clinicamente diabetes aparente.
•    Fraqueza muscular proximal é um efeito colateral comum e reversível das altas doses de corticóides.
•    Osteoporose.
•    Osteonecrose.
•    O risco de úlcera péptica é maior em pacientes tratados com corticóides sistêmicos e tratamento concomitante com AINE.
•    Estrias, acne e equimoses (mancha roxa da pele).
•    Hipertensão arterial.
•    Catarata.
•    Insônia e disturbios do humor são bastante comuns.

A interrupção da terapia depende da natureza e atividade da doença, o uso de poupadores de corticóides, a presença de comorbidades e os estilos de prática clínica influenciam a velocidade com que a terapia é reduzida, por tanto, é muito importante que seja realizado um acompanhamento rigoroso com o especialista, sobre tudo para evitar os efeitos colaterais do uso de corticóides, ainda deve ser considerado que a redução de dose pode acarretar outros problemas como a síndrome de retirada de esteróides.

Os corticóides são amplamente utilizados no tratamento de doenças reumáticas, porém todos os cuidados devem ser tomados já que a toxicidade é substancial e aumenta com a dose e a duração do tratamento.

Não tome nenhum medicamento por conta própria, consulte com seu médico para esclarecer suas dúvidas, somente ele poderá determinar o que é conveniente para seu caso em específico.


voltar topo
  • impressão
  • enviar por e-mail
Aviso Legal:

1. As informações contidas neste site tem caráter meramente educativo e não substituem as opiniões, condutas e discussões estabelecidas entre médico e paciente.

2. Todas as decisões relacionadas ao tratamento devem ser tomadas com respaldo do médico responsável pelo acompanhamento clínico do paciente, pois é ele quem mais conhece as particularidades de cada paciente, tendo, portanto, melhores condições de opinar e prescrever a conduta mais adequada.

3. Os patrocinadores não têm nenhuma responsabilidade ou influência sobre o conteúdo do portal.