Pesquisa associa osteoporose e hipertensão a baixa ingestão de cálcio na menopausa

Última atualização: 02/09/2010

Mulheres na pós-menopausa que consomem pouco cálcio estão expostas a um risco maior de desenvolver hipertensão, conjuntamente com osteoporose, em comparação àquelas que consomem uma quantidade maior de cálcio por semana. Esta foi a principal conclusão do estudo apresentado por Maria Manara, professora do Departamento de Reumatologia do Instituto Gaetano Pinini, em Milão, Itália, durante o Eular 2010, o Congresso Anual da Liga Européia contra o Reumatismo.

O estudo italiano acompanhou 825 mulheres na pós-menopausa com hipertensão. Neste grupo, 35,4% das mulheres que consumiam uma menor quantidade de cálcio tiveram o diagnóstico simultâneo de hipertensão e osteoporose, em comparação às participantes do estudo, 19,3%, que consumiam uma maior quantidade de cálcio e apresentavam apenas o diagnóstico de hipertensão.

O estudo italiano indica que pode haver uma relação entre a hipertensão e a baixa massa óssea e que uma baixa ingestão de cálcio pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa.

— A pesquisa nos alerta também que uma baixa ingestão de cálcio pode estar envolvida na associação das duas doenças, ou seja, pode ser considerada um fator de risco para o desenvolvimento da hipertensão e da osteoporose, ao mesmo tempo — explica o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo).


O consumo de cálcio e a saúde dos ossos


Mesmo em países tropicais com sol em excesso, a proteção exagerada contra os raios solares – com roupas que cobrem a maior parte do corpo – o baixo consumo de leite, o alto consumo de refrigerantes e álcool, a falta de exercícios físicos, o consumo reduzido de frutas e legumes e o tabagismo têm elevado a incidência de osteoporose.

— Podemos negligenciar fatores de risco tão importantes? Informação, atividade física, alimentação rica em cálcio e exposição ao sol são alguns dos itens que podem garantir a saúde dos ossos por toda a vida. O idoso, geralmente, tem maior necessidade de micronutrientes e de algumas vitaminas, como é o caso do cálcio e da vitamina D, que afetam a densidade mineral óssea e o risco de osteoporose e fraturas — defende Lanzotti.

A osteoporose é uma doença prevenível. A prevenção envolve alimentação saudável; exercícios físicos regulares; exposição ao sol; proteção medicamentosa dos ossos durante o uso prolongado de glicocorticóides e anticonvulsivantes; a correta reposição de hormônios tireodeanos; o consumo de álcool com moderação; a interrupção do fumo e a implementação de exames médicos de rotina e de procedimentos que evitem as quedas na terceira idade.

— A alimentação é uma arma poderosa no combate à osteoporose. Ela garante um aporte adequado de cálcio para a mineralização óssea durante praticamente toda a vida — afirma o especialista.

Após a menopausa, a redução do hormônio feminino causa a perda de cálcio e pode haver necessidade de suplementação do mineral.

— Mas em ambos os sexos, há uma progressiva redução na absorção de cálcio com o avançar da idade e a suplementação deste mineral pode prevenir a perda óssea e aumentar a densidade mineral. Entretanto, se já houver osteoporose manifesta, essa medida deve se associar ao uso de medicamentos para evitar a perda progressiva ou até mesmo propiciar o ganho de massa óssea.
 
Fonte: Zero Hora

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